sexta-feira, 15 de novembro de 2013

15 de novembro

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Hoje, 15 de novembro, vou terminar de ler o 1889, do Laurentino Gomes. Leitura difícil, não pela qualidade do livro, muito bem escrito pelo autor, tão bom quanto o 1808 e o 1822 mas, sim, pela história do Brasil narrada naquele momento do golpe institucional que resultou na queda da monarquia. 

Um golpe militar que, aliado às oligarquias conservadoras e retrógradas do país, inspirados em Augusto Comte e seu positivismo que, simplesmente, despreza o povo, que, segundo esses "pensadores", é um ser passivo, ingênuo e ignorante que necessita de uma elite dominante e supostamente sábia para guiá-lo das trevas em que vive (a desordem) à luz (o progresso). É tudo muito duro de engolir e digerir.

Atirou o país praticamente numa república oligárquica onde os ricos proprietários se alternavam no poder à mercê da vontade e dos interesses do povo, esse ser, também para tal "elite", ignorante e desprezível. "Greve é caso de polícia", já dizia um dos presidentes desse primeiro período da República.

O que mais enoja é perceber que o golpe militar de 1964, que teve ajuda dos EUA e do chamado "capital associado", ainda com resquícios e influências (tardias e anacrônicas) do positivismo de Comte, inspirou-se nas mesmas prerrogativas de desprezo pelo povo e pelos pobres. O mesmo preconceito arraigou-se em parte da elite, que continuou achando-se intelectualmente superior aos demais brasileiros e que, enquanto o poder emanar do povo e para o povo, as coisas estarão fora do lugar. Foram mais de 20 anos de "eu prendo, eu arrebento"...

Duro mesmo é perceber que, ainda hoje, idéias que já eram anacrônicas no final do século XIX permaneçam, com tanta força e agora escancaradas por alguns dos filhos dessa elite golpista e antidemocrática, em pleno século XXI... E ainda se consideram elite intelectual - e ainda desprezam (ou simplesmente ignoram) a força, a gana, sagacidade e inteligência do povo brasileiro.

==> De qualquer forma, recomendo a leitura do livro, complementada pelos livros do José Murilo de Carvalho (Os Bestializados e A Formação das Almas) e, claro, do Raimundo Faoro (Os donos do Poder).


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