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O que trama e turva na paisagem é o olhar, quando as cores se dissolvem com a luz.
Quando as nuvens se colorem e anunciam o sol.
Nossas dores dégradés emergem do nosso silêncio – ou de nossas vozes (do espanto).
O que as brumas anunciam quando o mar grita, o que nem se esconde tampouco vem de longe, a própria vida.
Vem da chama. Anuncia o novo todo dia.
(Já o medo é esse estranho mar que agride as margens)
Desponta do céu de Caraíva a despedida, o último dia, derradeiro como tudo.
O horizonte espalha a paisagem e o mar canta sua rítmica canção de eternidade.
A alteridade do momento fixa os sentidos, entre a tola imensidão de pensamentos.
O que ficou inteiro restou das minhas partes. Na intransigência do momento, cada recorte um lapso, cada retalho insurgência de sentir.
A luz explodiu em rasgos e rastros. O céu se desfez em confetes num carnaval de mim.
Sangra em cores todo amanhecer, enquanto minha alma singra o mar que se espanta.
O brilho intenso da morte que o tempo sorrateiro transforma em saudade.
O sol se levanta, o amarelo consome das marolas a dança.
Da beleza única costuro túnica. Recobrirá e dará alento.
O calor do movimento me abraça e se tudo passa eu melhor invento.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
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