terça-feira, 9 de março de 2010

De fini tivo

Uma presença já me deu muitas coisas boas. Uma presença já foi mais que o bom.

Hoje, essa presença causa um sentimento ruim. Essa presença esperança.

Então melhor morrer. Não pode ser a última (antes ela do que eu).

Respirar é bom. É melhor quando o ar é limpo. Sem ácaro e sem fantasia.

Embora sem máscaras, esse carnaval sufocava meu coração no confete.

Todas as cores podem reluzir, menos as que não refletem. Meu refletir era bruma cinza, estremecida, imagem tremida.

Toda cor um medo e sempre despedida.

Não traço tratos com o trágico. Todo dia a lua respira no fim.

O meu amor é frágil.

O anel que tu não me destes, não era vidro, nem se quebrou. Amor não tinha. Consumou.

O que vivi, agora retrato, reencontro num sertão de rastros. O que senti, pra mim, muito mais que poesia. Coisa viva.

Mas nada cresce de um só lado. Nada vive sem contrapartida. Sem regar a palavra flor, nenhuma semente cresce texto e vira vida.

Nem luz se reflete colorida...

O amor negado é como lua, escondida a dois paços: num movimento é revelado.

Meu coração não pode nessa batida. Não faz música. Na relação entre eu e meu coração, não cabe hipocrisia.

A paz é um laço se fazendo em pedaços, nos gestos de um teatro que revela a saída.

Fingir é uma arte. Pra si mesmo, desastre.

As formas no céu - as nuvens - voltam a ser só imaginações livres.

Melhor sentir o sol no nascer que imaginar a brisa.

Alma inteira e viva.

Definitiva.

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